Materiais, Energia e Alterações Climáticas

 A Declaração de Lisboa  

Nos dias 3 a 5 de Outubro de 2007, decorreu em Lisboa a Primeira Cimeira Mundial sobre Materiais, patrocinada pelas Sociedades Científicas de Materiais (organizadas na EMRS, FEMS , ESF e IUMRS), pela empresa Alstom e, ainda, pelas Plataformas Tecnológicas EuMat (Materiais) e ZEP (Emissões Zero). A organização esteve a cargo do colega Prof. Rodrigo Martins, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.  

Desta Cimeira, em que participaram cientistas de vários países e, também, grandes construtores automóveis (Daimler-Chrysler, Volkswagen, General Motors e Toyota) e aeronáuticos (Embraer e Airbus), resultou a Declaração de Lisboa intitulada International Cooperation in Materials Research:  Key to Meeting Energy  Needs and Addressing Climate Change, cujo texto integral se encontra em www.spmateriais.pt e da qual se transcrevem os tópicos essenciais.  

A Cimeira concluiu que o ritmo actual de investigação e desenvolvimento está a ser demasiado lento para satisfazer as necessidades crescentes de energia da população mundial.  Os esforços estão dispersos e a concorrência entre laboratórios e instituições dificulta o progresso na resolução de problemas complexos, sendo que a colaboração internacional é vital para se obterem resultados.  

Assim, na sessão plenária final, os cientistas presentes acordaram unanimemente na constituição de uma rede global para coordenar e acelerar esforços. Designada por CORME (Coordination of Research on Materials for Energy), esta Rede  será organizada pela IUMRS (International Union of Materials Research Societies), em colaboração com as Sociedades de Materiais dos diversos países interessados. Na Europa, esta actividade será coordenada pelo EMF (European Materials Forum) que junta cerca de 120 sociedades científicas europeias activas no campo dos materiais avançados.

 São objectivos da CORME:  

1 - Acordar internacionalmente planos estratégicos (road maps) para o desenvolvimento de materiais novos com melhores propriedades, bem como de produtos para as futuras tecnologias energéticas;  

2 - Juntar instituições de investigação, sector público e a indústria numa série de reuniões focalizadas nos seguintes tópicos:

-          transformação e  reciclagem do CO2 numa nova matéria prima

-          produção e armazenamento de hidrogénio

-          tecnologia limpa para o carvão

-          energia nuclear: fusão e fissão, em particular para a produção de hidrogénio

-          tecnologias de células de combustível (Sydney 2008)  

3 -Identificar e preparar uma nova geração de jovens lideres internacionais capazes de alavancar a ciência e tecnologia de materiais para a investigação e o desenvolvimento de energias limpas;

4 – Promover a colaboração em novos e grandes programas de investigação em materiais relevantes para as tecnologias energéticas do futuro;

5 – Fornecer informação para o estabelecimento de políticas regionais, nacionais e globais no Sector Energético;

6 – Assegurar às empresas fabricantes de equipamentos (especialmente PMEs) o melhor acesso à informação sobre os desenvolvimentos em materiais;

7 – Ser interface com outras organizações relevantes para o  sector da Energia ou envolvidas na investigação em materiais relacionados com a Energia;

8 – Estimular o interesse do público e a consciencialização do significado das questões relacionadas com a Energia;

9 – Motivar uma nova geração de cientistas e engenheiros para o mega desafio da energia limpa e do crescimento sustentável. 

 A Cimeira considerou que não há lugar a mais dúvidas sobre as alterações climáticas, que constituem uma enorme ameaça em termos globais, pelo que também á indispensável uma resposta global. Todos os países serão afectados, a começar pelos mais pobres.

As actuais previsões indicam que as necessidades em energia no mundo serão, em 2050, mais do dobro das actuais. Se a isto acrescentarmos as necessidades também crescentes de energias limpas, conclui-se que tal não é possível com as actuais tecnologias.  

Os materiais avançados, a investigação em materiais e a inovação são essenciais ao desenvolvimento das novas tecnologias necessárias à produção sustentável de energias limpas com uma redução significativa das emissões de CO2. Um exemplo já conseguido é a utilização do nitreto de gálio. É pois necessário um esforço imediato de investigação fundamental em materiais, dado que por vezes são necessários 20 anos para transformar uma descoberta científica num produto industrial.

(TOPO)

Cientista Portuguesa distinguida pelo European Research Council em 2008

 

Elvira Fortunato, Engenheira de Materiais, Professora e Investigadora no CENIMAT – Centro de Investigação de Materiais da UNL, recebeu 2,25 milhões de Euros do European Research Council, para financiamento do projecto INVISIBLE, com vista ao desenvolvimento de tecnologia para produzir ecrãs transparentes.  

Esta tecnologia relativamente recente permite que objectos, como o vidro do automóvel ou uma simples folha de acetato, sejam transformados em ecrãs. Uma vez desligados da corrente eléctrica, premindo um simples botão, estes mantêm as propriedades originais a que estamos habituados.  

A equipa que se encontra a desenvolver esta tecnologia integra estudantes de doutoramento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA e é coordenada pelos Professores Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, do Departamento de Ciência dos Materiais e investigadores do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT).

 

A ideia que deu origem a este projecto surgiu quando se tentou saber se materiais convencionais, como os óxidos, poderiam ter aplicações relevantes na área da electrónica, para além das convencionais, como por exemplo, substituir o silício na produção de transístores.

 

Ou seja, a experiência traduz-se em reutilizar materiais de aplicações convencionais em aplicações ditas não convencionais e de elevado valor acrescentado, tendo por base a utilização de nanotecnologias. Por exemplo, é possível utilizar o óxido de zinco, composto com bastante utilização na indústria farmacêutica/cosmética e na própria industria alimentar, entre outras, como material semicondutor activo em microelectrónica.

 

As principais funções de um ecrã transparente são várias, nomeadamente a de permitir uma maior resolução e contraste, optimização do ângulo de observação, inexistência de regiões opacas, entre outras, podendo-se destacar a sua utilização nas seguintes áreas/aplicações:

 

- Sistemas de segurança (alarmes invisíveis);

- Mostradores do tipo LCD ou O/PLED;

- Sistemas de projecção;

- Fotocopiadoras super compactas;

- Janelas inteligentes;

- Indústria automóvel (sistemas de navegação, janelas, etc.);

- Indústria militar;

- Publicidade interactiva e dinâmica;

- Brinquedos/Jogos.

 

Cientistas portugueses desenvolvem primeiro transístor com papel

Ainda no Centro de Investigação de Materiais (Cenimat/I3N) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), da Universidade Nova de Lisboa (UNL) foi produzido – pela primeira vez – um transístor que integra uma camada de papel na sua estrutura.

 No artigo “High Performance Flexible Hybrid Field Effect Transistors based on Cellulose Fiber-Paper”, a publicar em Setembro na revista IEEE - Electron Device Letters (1), Elvira Fortunato e colegas mostram, ainda, que o novo dispositivo rivaliza em desempenho com as mais avançadas tecnologias de filme fino. Resultados promissores que poderão ser explorados: ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, chips de identificação ou aplicações médicas. 
Actualmente, assiste-se a um crescente interesse da indústria electrónica pelo desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, pois estes potenciam um manancial de aplicações baratas. A celulose é o principal biopolímero da Terra. Por isso, alguns estudos internacionais relataram, recentemente, a utilização de papel como suporte físico de componentes electrónicos. Porém, até hoje, ninguém tinha recorrido ao papel como parte integrante de um transístor.
Numa abordagem inovadora, o grupo de investigação do CENIMAT / I3N – coordenado pelos Professores Elvira Fortunato e Rodrigo Martins – fabricou dois transístores de filme fino nos quais uma das camadas – o dieléctrico – é uma vulgar folha de papel.

Um transístor é um dispositivo com três terminais – fonte, dreno e porta. Nos transístores de efeito de campo (FET, Field Effect Transistor) – como é o caso – a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada ao terceiro terminal, a porta. Para tudo isto funcionar, a porta tem de estar isolada electricamente da fonte e do dreno. Daí a importância da tal camada dieléctrica.  

Mas os cientistas da Nova foram mais longe: lembraram-se de fabricar os FETs utilizando os dois lados de uma folha de papel. Numa das faces depositaram o material que opera como porta e, na outra, construíram a estrutura correspondente aos restantes terminais. Desta forma, o papel actua simultaneamente como isolante eléctrico e como suporte do próprio dispositivo.
Os testes às propriedades eléctricas dos dispositivos mostraram que estes são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores (área de ponta na qual esta equipa detém patentes internacionais).

Estes resultados – aliados à possibilidade de estes FETs serem produzidos em larga escala e ao baixo custo do papel – auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável.

(1) A IEEE (originalmente, um acrónimo de Institute of Electrical and Electronics Engineers) é uma associação profissional sem fins lucrativos, dedicada ao desenvolvimento tecnológico.

(TOPO)

 

Prémio CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATERIAIS 2007 atribuído pela FEMS

 

Este prémio, criado em 1995,  é atribuído pela FEMS – Federation of the European Materials Society e destina-se a jovens cientistas ou engenheiros europeus, como reconhecimento do seu trabalho no campo da Ciência e Engenharia de Materiais. O prémio é entregue durante a realização das conferências EUROMAT, nos anos ímpares, e consiste  num certificado e na colecção completa dos volumes da série “Materials Science and Technology” editados pela Wiley-VCH. O Prémio 2007 foi atribuído a João F. Mano, da  Universidade do Minho.

João F. Mano nasceu em Sintra em 1968. Licenciou-se em Engª Química, no Instituto Superior Técnico, e doutorou-se em Química em 1996, pela Universidade Técnica de Lisboa. É agora docente no Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho e pertence ao grupo de investigação 3B’s – Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, que está integrado no Laboratório Associado IBB: Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia.  

É coordenador do ramo de Biomateriais, Reabilitação e Biomecânica do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica da Universidade do Minho, sendo também o responsável Erasmus nessa área.

Os seus  interesses de investigação incluem o desenvolvimento de novos materiais e conceitos para aplicações biomédicas, especialmente para a área da engenharia de tecidos e medicina regenerativa e, também, sistemas de libertação controlada de fármacos. Os materiais utilizados são biodegradáveis e tipicamente de origem natural. O trabalho desenvolvido tem incluído também o desenvolvimento de dispositivos que reagem a estímulos externos (por exemplo alterações de temperatura ou pH), ou abordagens biomiméticas (inspiradas por materiais, comportamentos e conceitos utilizados na natureza), na área da ciência e tecnologia dos biomateriais. Esse trabalho tem sido acompanhado por estudos mais fundamentais de Química-Física e caracterização de polímeros. Está envolvido em vários projectos de investigação europeus e nacionais e é co-autor de mais de 170 publicações científicas em jornais internacionais.  

Recebeu em 2005 o prémio Estímulo à Excelência atribuído pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

(TOPO)

Presente e futuro da engenharia dos materiais numa relação eficaz com a indústria

 

Este Colóquio, organizado pela SPM e pelo Colégio de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Ordem dos Engenheiros, decorreu no dia 26 de Outubro de 2006, no Auditório do CTCV- Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, em Coimbra. Destinado a empresários, quadros de empresas, professores, investigadores e estudantes, teve por objectivo evidenciar a necessidade, para as empresas, do conhecimento actual e futuro dos Engenheiros de Materiais, determinando a utilidade deste curso de Engenharia para a indústria e para o País.

Perante as exigências crescentes colocadas às empresas industriais de materiais, numa economia global, impõe-se inovação permanente nos produtos e todos as demais dimensões do processo e da organização. A aposta na renovação constante do conhecimento das empresas pode ser feita através da contratação de jovens quadros, desde que estes sejam preparados e acompanhados por escolas eficazes com cursos permanentemente actualizados, através da formação de base e pós-graduada. Foi  a avaliação deste desafio que a SPM e a Ordem dos Engenheiros pediram aos membros do Painel que animou o Colóquio. Este Painel reúniu especialistas dos vários sectores industriais de maior importância das industrias de materiais (metalurgia, cerâmica, revestimentos avançados, plásticos, têxteis, compósitos, outros) e foi moderado por representantes da SPM e da Ordem dos Engenheiros.  

Foram membros do Painel:

-          Eng.º Pedro Vieira de Castro (Presidente do Colégio de Engenharia Metalúrgica e dos Materiais da Ordem dos Engenheiros;NORCAM);

-          Eng.º Hélder Rosendo (CITEVE- Centro Tecnológico das Indústrias Têxteis e do Vestuário) - têxteis e compósitos;

-          Eng.º António Alcântara Gonçalves (TEandM Tecnologia e Engenharia de Materiais) - revestimentos avançados;

-          Eng.ª Manuela Oliveira (INETI - Departamento de Tecnologia de Materiais; SPM) - metalurgia;

-          Eng.º António Sousa Correia (CTCV, SPM) - cerâmica industrial, vidro, materiais e processos de fabrico avançados, compósitos [Moderador do Debate].

 A eles coube:  

         comentar a aplicabilidade dos currícula de Eng.ª de Materiais à sua área industrial/empresarial

         avaliar a experiência profissional como Engenheiro de Materiais

         emitir opinião sobre a presente situação dos sectores industriais que melhor conhece

         formular sugestão(ões) para reforçar a formação e o papel do Engenheiro de Materiais nas Indústrias que conhece.  

Na sua intervenção, o Presidente do Colégio de Engenharia Metalurgica e de Materiais recordou que, no Encontro Nacional de 2000 do Colégio, já haviam sido divulgados os resultados de um Inquérito feito aos membros do Colégio sobre a adequação dos Cursos de Engenharia de Materiais ao mercado de trabalho. Das respostas recebidas concluiu-se que a opinião geral sobre os Cursos era positiva, embora fosse necessário ter mais docentes com prática industrial e enriquecer o currículo dos Cursos com disciplinas de ambiente, qualidade e organização da produção, o que entretanto foi feito.  

Actualmente, os curricula dos Cursos estão em mudança e, tão importante como o  conhecimento de base, é a preparação para poder adquirir rapidamente novos conhecimentos quando se entra no mercado de trabalho. É necessário reforçar a componente de desenvolvimento do produto, dando a maior atenção aos aspectos de selecção de materiais e processos de fabrico. A generalidade das empresas em Portugal ignora ainda o que um Engenheiro de Materiais é capaz de fazer, pelo que deve ser feita uma divulgação adequada.  

Por sua vez, o Engº Hélder Rosendo do CITEVE mostrou o vasto campo de Investigação, Desenvolvimento e Inovação que está aberto no campo dos Têxteis e Vestuário: fibras inteligentes, fibras auto-reparadoras, fibras com memória de forma, fibras auto-limpantes. Um exemplo de aplicação da memória de forma ao vestuário: o tecido pode ser comprimido assumindo um formato/dimensão de uma bola de baseball e recuperar a forma original, sem vincos e rugas, mediante um fluxo de ar quente (secador de cabelo). Este conceito ganhou o Time Award para melhor inovação em 2001. Por isso os Engenheiros de Materiais têm de estar ligados à função “design”, ter criatividade e dominar as metodologias de desenvolvimento do produto. As empresas que têm fechado em Portugal são as de confecção e vestuáriuo. A Indústria Têxtil é um caso diferente, pois tem mais capacidade de inovação e re-invenção,  pelo que em Portugal está a subir:

 -          26 milhões de Americanos dormem em lençóis portugueses

-          Portugal é líder europeu em têxteis para o lar e é o terceiro maior exportador mundial

-          As marcas portuguesas impõem-se pela inovação: tecidos inteligentes, tecidos retardadores do fogo, tecidos antibacterianos , tecidos com propriedades terapêuticas e hidratantes.

 O Engº Alcântara Gonçalves, da TEandM (empresa de tratamentos de superfície e revestimentos), considerou que os Cursos actuais são adequados, podendo no entanto ser reforçada a componente económica e de gestão. Prevê-se que as empresas comecem a ter maior capacidade de incorporação de Engenheiros de Materiais, pois está a verificar-se um “boom” no desenvolvimento de materiais avançados para  várias aplicações, tais como as energias renováveis e a indústria automóvel. As empresas podem apostar em nichos de mercado, fabricando produtos de valor acrescentado com incorporação de conhecimento.  

O Engº Sousa Correia chamou a atenção para a necessidade de reforçar a componente de Engenharia nos cursos, isto é, o cálculo das propriedades para o desempenho; e, ainda, introduzir o Engineering Design, indispensável ao desenvolvimento do produto.  

Durante o debate, foi mais uma vez referida a baixa procura dos cursos de engenharia por parte dos estudantes do ensino secundário, apesar do esforço de promoção que tem sido feito pelas Escolas de Engenharia. Foram também referidas as dificuldades em obter estágios de fim de curso nas empresas.  

O Presidente da SPM, Prof. Marat Mendes, referiu ter a área dos materiais a maior produtividade científica em Portugal, tendo sido também o campo em que a UE mais investiu. A comunidade científica dos Materiais em Portugal tem alta produtividade, faz boa ciência e divulga-a mas tal não se reflecte nas empresas. A verdade é que a indústria nacional continua a adiar o investimento em Ciência e Tecnologia de Materiais, esquecendo que as empresas que fabricam produtos de maior valor acrescentado têm Engenheiros de Materiais nos seus quadros.

 Foi referida a Rede de Formação em Engenharia de Materiais, formada em 2004 entre 6 Universidades Portuguesas, afirmando-se como um compromisso entre escolas no desenvolvimento da formação em Engenharia de Materiais face à importância estratégica dos materiais como suporte às novas tecnologias para a inovação e modernização da sociedade. Informações sobre a Rede estão disponíveis em: http://dc.sapo.pt/redemat/

 

(TOPO)

 

EUROCORR 2005

Com a presença de mais de 700 participantes de vários países e continentes, o EUROCORR 2005 (Congresso Europeu de Corrosão, da Federação Europeia de Corrosão) foi organizado pela SPM em Lisboa, no Centro de congressos do IST, de 4 a 8 de Setembro de 2005. O Presidente da Comissão Organizadora e do Comité Científico Internacional foi o sócio da SPM, Professor Mário Ferreira.

Os congressos EUROCORR são, sem dúvida, os mais importantes eventos europeus e referências a nível mundial na área da corrosão e protecção de materiais. Abrangendo um vasto número de tópicos nas áreas da ciência da corrosão e da tecnologia de protecção anti-corrosiva, o EUROCORR 2005 centrou-se no tema “Controlo da Corrosão para um Desenvolvimento Sustentado” e teve como tópico especial o “Controlo da Corrosão na Indústria Aeronáutica”. Em paralelo com as sessões (orais ou de posters) tiveram ainda lugar as reuniões dos vários grupos de trabalho da Federação Europeia de Corrosão, que celebrou em 2005 o  seu 50º Aniversário.  

As comunicações foram agrupadas nos seguintes tópicos:

  • Inibição da Corrosão
  • Corrosão e Protecção em Estruturas de Aço
  • Corrosão a Altas Temperaturas e Conversão de Energia
  • Corrosão Nuclear
  • Fractura
  • Ciências de Superfície e Mecanismos de Corrosão e Protecção
  • Educação e Aplicações Informáticas
  • Testes de Corrosão
  • Controle da Corrosão Marinha Para o Desenvolvimento Sustentável
  • Causas e Controle da Corrosão Microbiológica
  • Corrosão no Betão Armado
  • Corrosão na Produção de Petróleo e de Gás
  • Revestimentos
  • Corrosão na Indústria de Refinação
  • Protecção Catódica
  • Corrosão na Indústria Automóvel
  • Corrosão e Tribo-Corrosão na Indústria Automóvel.

Foram também organizadas “workshops” dedicadas a temas específicos, que ou não foram  contemplados ou que são complementares aos tópicos anteriores:

·        Corrosão na Indústria Aeronáutica

·        Corrosão Atmosférica

·        Biomateriais: Corrosão e Desgaste

·        Preservação do Património Cultural

·        Materiais Alternativos para Controle da Corrosão em Estruturas de Betão Armado

·        Corrosão em Sistemas de Transporte de Água

·        Inibidores de Corrosão para Combate da Corrosão Nafténica

·        Perspectivas Futuras Para a Corrosão na Indústria Nuclear

·        Pre-Tratamentos

·        Materiais Poliméricos

·        Monitorização da Corrosão e Normalização

·        Tendências nas Técnicas Electroquímicas.  

Foi realizada uma “workshop” patrocinada pela NACE com o título “ISO 15156/MR0175 – Evolução, Aplicações, Implicações e Experiência”.  

Para ser distribuído aos participantes, foi preparado um número temático da Revista da SPM (Vol. 17, nº 1-2, Janeiro-Junho 2005), com artigos sobre Corrosão e Protecção de Materiais, sob a coordenação da colega e sócia Carmen Rangel,  Editora Convidada para este número da Revista.

(TOPO)

Seminário “MATERIAIS PARA A ENGENHARIA MECÂNICA

 

Este seminário foi organizado no ISEL pelo colega e sócio Eduardo Dias Lopes.  

Fizeram-se duas edições em 2005 (25 de Maio e 20 de Outubro), prevendo-se a sua repetição em 2006.   

A SPM esteve presente nas seguintes 3 comunicações:  

-         “Pulverometalurgia: uma mais valia tecnológica para o sector automóvel”, por João Mascarenhas e Manuela Oliveira

-         “Materiais inteligentes”, por J. Marat-Mendes

-         “Pilhas de combustível e sua aplicação a veículos eléctricos”, por César Sequeira

 

Encontro sobre a Madeira e suas aplicações nobres - Bem utilizar a madeira

 Este Encontro teve duas edições em 2005: uma na Universidade do Minho, em Guimarães  (8 de Novembro), e a outra no INETI, em Lisboa (22 de Novembro).  

O seu objectivo era a divulgação e o  debate com os participantes sobre os principais aspectos técnicos relacionados com a melhor utilização e valorização da madeira, nomeadamente a relação da madeira com a humidade, os novos produtos derivados, regras de boas práticas de utilização dos produtos de madeira, a contribuição da arquitectura nas aplicações em construção e a recuperação de obras em madeira. Durante os trabalhos, que decorreram das 9h00 às 18h00, com uma forte participação de cerca de 70 participantes em cada encontro, tendo sido apresentadas as seguintes comunicações:

  • “A secagem e as relações da água com a madeira”, J.A.Santos (INETI)
  • “Produtos derivados da madeira – potencialidades e principais aplicações” , Pedro Figueira  (SONAE)
  • “Madeira em Estruturas. Programas de cálculo e Normalização” Marques Pinho (Universidade do Minho)
  • “Eurocódigo 5. Marcação CE de produtos de madeira”,  Pontífice Sousa  (LNEC)
  • “Protecção da madeira contra o fogo” ,Lourenço Ferreira  (Consulfogo)
  • “A madeira e a arquitectura” ,Carlos Fonseca
  • “Recuperação de edifícios em madeira”, João Appleton  (A2P)
  • “Possibilidades e aplicações de ensaios não destrutivos” ,Paulo Lourenço (Universidade do  Minho)

Das comunicações apresentadas e dos debates que se seguiram permitiu-se tirar algumas conclusões, como sejam o novo despertar da madeira como material nobre para a construção, nomeadamente em obras de elevada qualidade estética e inovação arquitectónica, além da consolidação do seu uso em obras de reabilitação e reconstrução em edifícios históricos e/ou com elevado valor cultural. Foram identificadas as soluções para os problemas do uso da madeira quando não são tomados os melhores procedimentos técnicos e científicos para garantir o seu eficaz desempenho. Os participantes tiveram direito a um CD com os textos e cópias das apresentações. Esteve sempre presente no espírito dos apresentadores a valorização dos recursos nacionais, tanto das matérias de origem florestal, como os conhecimentos ligados ao nosso património e domínios dentro das competências da indústria portuguesa do sector das madeiras.  

Houve da parte dos assistentes manifestações de interesse na continuação de acções deste tipo, com novos temas de actualização dos conhecimentos.  

O Encontro foi organizado pela Universidade do Minho, Sociedade Portuguesa de Materiais e INETI, tendo como patrocinadores as empresas do Grupo Madeicávado: Damadeira;  Techniwood; e Timbermade.

(TOPO)

DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA

 

O Presidente da SPM, Professor José N. Marat Mendes, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Técnica de IASI, a mais antiga Universidade da Roménia.  

A lição proferida pelo Professor J. Marat-Mendes com o  título: “ A New Conduction Mechanism in Dielectric Materials: The Space-Charge-Controlled  Conductivity “ teve lugar  no dia 30 de Outubro de 2003, numa cerimónia realizada na  magnífica Aula Magna (a “ AULA” ) daquela Universidade,  perante os Membros do Senado  e uma vasta assistência.

(TOPO)