A Europa como Polo Estratégico para Materiais Avançados
- 16 de abr.
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Concebido para fundamentar o "Advanced Materials Act" (a estratégia europeia para o setor), o relatório "Future of Advanced Materials in Europe: Overcoming Barriers to Uptake, Deployment, and Scale-up" (FAME) acaba de ser apresentado.

O documento resulta do encontro FAME, realizado na Universidade de Aveiro em novembro de 2025, e defende que o desafio atual do continente não reside na descoberta científica, mas na industrialização e introdução destes materiais no mercado em larga escala.
O relatório identifica lacunas críticas na transição entre as etapas do ciclo de desenvolvimento — um processo de capital intensivo que abrange desde a investigação laboratorial até à produção industrial. Este percurso é dificultado por infraestruturas fragmentadas e de difícil acesso. Além disso, a comercialização é travada pela escassez de instalações adequadas para testes e validação à escala necessária, essenciais para um desenvolvimento orie
ntado para a aplicação.
Especialistas sublinham que o investimento privado nas fases piloto e de demonstração permanece limitado, contrastando com o robusto apoio público inicial. Isto deve-se ao fato de o capital de risco convencional não se alinhar ao perfil de risco destas tecnologias. Assim, o apoio estatal revela-se mais eficaz quando focado na mitigação de riscos para atrair capital privado, em vez de o substituir.
A complexidade regulamentar é outro obstáculo que eleva custos e atrasa a inovação. A integração precoce de critérios como o Safe and Sustainable by Design, análises de ciclo de vida e testes direcionados pode reduzir falhas em fases avançadas e reforçar a confiança dos investidores. Somam-se a isto a escassez de competências especializadas em industrialização e os riscos nas cadeias de abastecimento.
Em suma, a competitividade europeia dependerá da capacidade de escalar a produção e comercializar estas soluções de forma rápida, segura e económica.
Coordenado pela Professora Paula M. Vilarinho, professora do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica, vice-diretora do CICECO — Instituto de Materiais de Aveiro e presidente da Federação Europeia de Sociedades de Materiais (FEMS), o relatório oferece contributos vitais para que a Europa lidere não apenas a ciência, mas também a produção e aplicação global destes materiais.




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